Tenho 39 anos. Comecei a fazer balé clássico no sul do Brasil, aos 10 anos. Meu pai é gaúcho, eu sou pernambucana, minha mãe é paraibana. A vida toda a gente mudou muito. Quando eu tinha 15 anos e ia fazer meu primeiro solo nas sapatilhas de ponta, nos mudamos de novo. Em Recife, fui para uma escola dirigida pela Mônica. Eu fazia aulas de balé clássico, mas ela obrigava a turma a fazer aulas de dança moderna. Nos encontros em sua casa, aos sábados, Mônica nos fazia assistir Pina Bausch. Me lembro que, às terças-feiras, fazíamos exercícios de contração, e eu ficava pedindo “pelo amor de Deus” para aquilo acabar logo [risos]. Vejo hoje como foi importante ter visitado esse tipo diferente de movimento ainda tão nova, porque geralmente as pessoas passam direto do balé para a dança contemporânea. Acho que, por sorte, trilhei um caminho menos assustador. Em minha formação recebi também influências da dança popular, do jazz e do moderno. Aos 18 anos fui para São Paulo. Fiquei um ano estagiando na companhia Cisne Negro, fazendo balé de repertório. Como era muito nova, acabei não aguentando a pressão. Retomei a faculdade de educação física. Queria sair da dança, mas acabei fazendo uma audição para o Grupo de Dança Primeiro Ato. Passei e fiquei lá por sete anos. Quando saí, montamos o Coletivo de Criação Movasse, que já vai completar 10 anos.

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