Tenho 37 anos. Quando criança, tinha o pé chato. Usava botinha ortopédica e chutava a canela do meu pai todos os dias. Certo dia o ortopedista falou: “Ela tem duas opções: usar botinha ou fazer balé”. Meu pai respondeu imediatamente: “Pelo amor de Deus, põe no balé!” [risos]. Aos 4 anos, então, comecei na dança. Foi tudo muito natural. Costumo dizer que a dança me escolheu, porque aos 8 anos fiz uma audição para a Companhia Maria Olenewa. Fui aprovada porque era magrela, não porque era boa. Me formei aos 15 anos; aos 16 já estava no Municipal de Niterói; aos 18, no Municipal do Rio. Ali, participei por 3 anos da Ópera de Paris, pois a direção do Municipal do Rio havia trazido os figurinos e os professores de lá. Foi maravilhoso. Numa temporada contemporânea ali mesmo, no Municipal do Rio, pude fazer um trabalho com Rodrigo Pederneiras. Ao conhecer melhor o Grupo Corpo, fiquei encantada. Vim, então, fazer uma audição. Fui aprovada e fiquei no Corpo durante 15 anos. Parei de dançar para cuidar do Centro de Arte Savassi (CASA), junto com Deborah Lopes. Tive um filho, dou aulas de balé, e hoje meu grande ofício é formar bailarinos, dar aulas de balé para quem nunca dançou e ver os corpos se transformarem. Isso resgata de alguma maneira minha carreira: consigo voltar a dançar, sem dançar.

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