Tenho 38 anos. Aos três anos de idade eu já queria fazer balé, pois via minha irmã dançando. No dia do meu aniversário de 4 anos, eu disse: “acabei de fazer 4 anos, agora quero ir pro balé”. Comecei numa pequena escola do bairro. No ano seguinte entrei para o Estúdio Anna Pavlova, onde fiquei por muitos anos. Aos 16 anos, fui para o Sesiminas. Fiquei ali pouco mais de 2 anos, convivendo com aqueles monstros do balé que eu tanto admirava. Certo dia, ao me aquecer, segurei na barra e fiz um grand-plié. Nessa hora, pensei: “Nossa, vou ter que arrumar um outro jeito, ou vou parar de dançar. Preciso de outra coisa, caso contrário, vou desanimar disso aqui”. Aos 21 anos fiz algumas aulas com a Sônia Mota e fiquei muito impressionada: eu já dançava havia 15 anos e não entendia nada daquilo. Entrei pouco depois no grupo experimental do Primeiro Ato. Foi um choque, porque ali eu “pulei” do balé clássico, do repertório, para o estilo contemporâneo de Dudude Hermann. Demorou muito para eu entender o tônus que eu deveria usar para me movimentar. Fui convidada para entrar no grupo profissional do Primeiro Ato, onde fiquei por 8 anos. Ali, comecei a trabalhar com o processo de criação. Quando saí, criamos o Movasse, onde estamos há 10 anos trabalhando nessa vertente de criação e dança contemporânea. Estou fazendo um mestrado e procurando entender a minha prática, escrever e registrar.

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